HISTÓRIAS DO COIOTE


08/10/2008


duda.com

There's no time for us

There's no place for us

What is this thing that builds our dreams,

Yet slips away from us

Who wants to live forever

Who wants to live forever.....?

There's no chance for us

It's all decided for us

This world has only one sweet moment

Set aside for us

Who wants to live forever

Who dares to love forever

When love must die

But touch my tears with your lips

Touch my world with your fingertips

And we can have forever

And we can love forever

Forever is ours today

Who wants to live forever

Who wants to live forever

Forever is ours today

Who waits forever anyway?

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Não há tempo para nós,

Não há lugar para nós

O que é isso que constrói nossos sonhos,

E ainda foge de nós.

Quem quer viver para sempre,

Quem quer viver para sempre.....?

Não há chance para nós

Está tudo decidido para nós

Este mundo só tem um momento doce

Separado para nós.

Quem quer viver para sempre,

Quem ousa viver para sempre,

Quando o amor deve morrer.

Mas toque minhas lágrimas com seus lábios

Toque meu mundo com a ponta de seus dedos

E podemos ter para sempre,

E podemos amar para sempre

Para sempre é nosso hoje

Quem quer viver para sempre,

Quem quer viver para sempre,

Para sempre é nosso hoje

Quem espera para sempre?

 

Escrito por Eduardo Almeida às 11h05
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02/10/2008



A natureza se move

gera beleza, arranjos e formas

movimento é vida

vida é beleza

é impermanência.

Foto de Wolfgang Krönner

Escrito por userID: 970932797799firstName: às 03h47
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Levante os olhos
contemple a beleza a sua volta.
Deixe-se inundar pela natureza.
Seja a beleza em ação.

Foto de Wolfgang Krönner

Escrito por userID: 970932797799firstName: às 03h33
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20/09/2008


duda.com

Oswaldo Montenegro

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Por que metade de mim é o que penso
Mas a outra metede é um vulcão
Que o medo da solidão se afaste
E que o convivio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Foto de 1000imagens.com@luismendonça

Escrito por Eduardo Almeida às 07h05
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12/09/2008


CASTAÑEDA


Um homem vai para o conhecimento como vai para a guerra: bem desperto, com medo, com respeito e com uma segurança absoluta. Ir para o conhecimento ou para a guerra de qualquer outra maneira é um erro, e quem o cometer pode não viver para se arrepender.
Quuando o homem preenche esses quatro requisitos - estar bem desperto, ter medo, respeito e segurança absoluta -,não há erros que ele tenha que explicar; nessas condições, seus atos perdem a qualidade desastrada dos atos de um tolo. Se um homem desses fracassar, ou sofrer uma derrota, terá perdido apenas uma batalha, e não haverá lamentos ou remorsos por causa disso.

Escrito por Eduardo Almeida às 09h37
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18/05/2008


Alberto Caeiro para a turma da DEP

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela

Escrito por Eduardo Almeida às 16h03
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03/05/2008


SE

Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia...

Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...

Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...

Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...
Se algum ressentimento,

Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,

E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou...

Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio...

Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu...

Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia...

Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...

Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim...

Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito...

Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...

Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou...

Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos, Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.

Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta.


Prof. Hermógenes

Escrito por Eduardo Almeida às 19h55
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27/01/2008


A FESTA DE BABETE

Todos nós fomos informados de que a graça deve ser buscada no universo. Mas em nossa loucura humana e nossa visão reduzida imaginamos que a graça divina seja finita. Porém, chega o momento em que nossos olhos são abertos, e vemos e entendemos que a graça é infinita. A graça, meus amigos, não exige nada de nós a não ser que a aguardemos com confiança e a reconheçamos com gratidão.


 

Escrito por Eduardo Almeida às 21h47
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A Dança

...Leve-me para os lugares do planeta que ensinam você a dançar, os lugares onde você pode correr o risco de deixar o mundo partir seu coração, e eu conduzirei você aos lugares onde a terra debaixo dos meus pés e as estrelas no céu fazem meu coração ficar inteiro de novo, e de novo.

 

Mostre-me como você cuida dos negócios sem deixar que eles determinem quem você é. Quando as crianças estão alimentadas mas as vozes internas e externas gritam que os desejos da alma têm um preço alto demais, vamos lembrar um ao outro que o que importa não é o dinheiro.

 

Mostre-me como você oferece ao seu povo e ao mundo as histórias e as canções que você quer que os filhos de nossos filhos recordem, e eu revelarei a você como eu me empenho, não para mudar o mundo, mas para amá-lo.

 

Sente-se do meu lado e compartilhe comigo longos momentos de solidão, conhecendo tanto a nossa absoluta solitude quanto o nosso inegável pertencer. Dance comigo no silêncio e no som das pequenas palavras cotidianas, sem que eu me responsabilize no fim do dia por nenhum de nós dois.

 

E quando o som de todas as declarações das nossas mais sinceras intenções tiver desaparecido no vento, dance comigo na pausa infinita antes da grande inalação seguinte do alento que nos sopra a todos na existência, sem encher o vazio a partir de dentro ou de fora.

 

Não diga "sim!",

Pegue apenas a minha mão e dance comigo.

Escrito por Eduardo Almeida às 07h16
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25/11/2007



MUDANÇA
Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. Não faça do hábito um estilo de vida. Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo sabor, o novo prazer, o novo amor. (...) Tente. Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes. Lembre-se de que a Vida é uma só. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. (...) Só o que está morto não muda ! Edson Marques

MEU NOVO ENDEREÇO

AV.  JÚLIO ABREU 160
SALA 910 - VARJOTA
EDIFÍCIO HOT CENTER
CEL: 85 9969 3863
xamanismo@gmail.com

www.eduardoalmeida.com

Escrito por Eduardo Almeida às 22h58
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08/11/2007


MOVIMENTO

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu...

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.
E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.
Augusto Cury

Escrito por Eduardo Almeida às 03h14
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Nemo Nox

 

Pedras no caminho?

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


Nemo Nox

 

Escrito por Eduardo Almeida às 03h04
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04/07/2007


Oscar wilde enviado por Yona Ruth

 

"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."

Oscar Wilde

Escrito por Eduardo Almeida às 06h31
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04/06/2007


O BANQUETE

- É um tanto longo de explicar, disse ela; todavia, eu te direi.

Quando nasceu Afrodite, banqueteavam-se os deuses, e entre

os demais se encontrava também o filho de Prudência, Recurso.

Depois que acabaram de jantar, veio para esmolar do festim a

Pobreza, e ficou pela porta. Ora, Recurso, embriagado com o

néctar - pois vinho ainda não havia - penetrou o jardim de Zeus

e, pesado, adormeceu. Pobreza então, tramando em sua falta

de recurso engendrar um filho de Recurso, deita-se ao seu lado

e pronto concebe o Amor. Eis por que ficou companheiro e servo

de Afrodite o Amor, gerado em seu natalício, ao mesmo tempo

que por natureza amante do belo, porque também Afrodite é

bela. E por ser filho o Amor de Recurso e de Pobreza foi esta a

condição em que ele ficou. Primeiramente ele é sempre pobre, e

longe está de ser delicado e belo, como a maioria imagina, mas

é duro, seco, descalço e sem lar, sempre por terra e sem forro,

deitando-se ao desabrigo, às portas e nos caminhos, porque

tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a precisão.

Segundo o pai, porém, ele é insidioso com o que é belo e bom,

e corajoso, decidido e enérgico, caçador terrível, sempre a tecer

maquinações, ávido de sabedoria e cheio ele recursos, a

filosofar por toda a vida, terrível mago, feiticeiro, sofista: e nem

imortal é a sua natureza nem mortal, e no mesmo dia ora ele

germina e vive, quando enriquece; ora morre e de novo

ressuscita, graças à natureza do pai; e o que consegue sempre

lhe escapa, de modo que nem empobrece o Amor nem

enriquece, assim como também está no meio da sabedoria e da

ignorância. Eis com efeito o que se dá. Nenhum deus filosofa ou

deseja ser sábio - pois já é -, assim como se alguém mais é

sábio, não filosofa. Nem também os ignorantes filosofam ou

desejam ser sábios; pois é nisso mesmo que está o difícil da

ignorância, no pensar, quem não é um homem distinto e gentil,

nem inteligente, que lhe basta assim. Não deseja portanto

quem não imagina ser deficiente naquilo que não pensa lhe ser

preciso.

Escrito por Eduardo Almeida às 20h24
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28/05/2007


Todas as Cartas de Amor são Ridículas

 

 

       Todas as cartas de amor são
       Ridículas.
       Não seriam cartas de amor se não fossem
       Ridículas.

       Também escrevi em meu tempo cartas de amor, 
       Como as outras,
       Ridículas.

       As cartas de amor, se há amor, 
       Têm de ser
       Ridículas.

       Mas, afinal,
       Só as criaturas que nunca escreveram 
       Cartas de amor 
       É que são
       Ridículas.

       Quem me dera no tempo em que escrevia 
       Sem dar por isso
       Cartas de amor
       Ridículas.

       A verdade é que hoje 
       As minhas memórias 
       Dessas cartas de amor 
       É que são
       Ridículas.

       (Todas as palavras esdrúxulas,
       Como os sentimentos esdrúxulos,
       São naturalmente
       Ridículas.)

                                                                                                                       Álvaro de Campos
 

Escrito por Eduardo Almeida às 21h14
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Histórico